sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Aula 2 - Conhecendo para descobrir

Hoje terei o primeiro contato de sala de aula com os alunos recém chegados ao Instituto, além de reencontrar os mais antigos. Como de costume, responderemos um formulário bastante despojado que busca uma interação inicial. Tal interação passa, automaticamente, pelos gostos de cada (musical, cinematográfico, comunicacional, etc) para atingir um dos objetivos deste primeiro momento: conhecer o que se pensa que conhece. No período passado, quando iniciei meus trabalhos no IFRJ-VR, executei a mesma atividade e minhas surpresas foram muitas. Percebi que subestimar os alunos é um gesto quase automático nosso, principalmente por já termos vivenciado muitas experiências em que nos decepcionamos. Todos, de certo, já passaram algumas boas horas tendo ideias, pesquisando e desenvolvendo aquela aula que julgava fantástica - a aula que gostaria de ter tido na época da escola - e logo depois teve uma triste decepção por perceber que não agradou ou atingiu os alunos como esperava. Pois é, a ideia da ficha surgiu desta decepção pessoal, con o intuito de dialogar com tal realidade, buscar as preferências e pequenas amostras do cotidiano dos alunos, para daí pensar nos conteúdos e nas aulas interadas às suas necessidades. A conversa está ficando um pouco séria demais neste post e não é minha intenção desenhar cartilhas ou novos/velhos métodos revolucionários de dinamização do ensino. Apenas registro que foi uma experiência muito válida com as turmas do semestre anterior e que irei repetir hoje. Estou ansioso para conhecer os novos alunos e descobrir como a montagem da disciplina poderá se moldar de acordo com suas preferências e realidades. Em um mundo em que estar antenado não significa conhecer de tudo um pouco, mas sim acompanhar as frenéticas transformações sócio-culturais e tecnológicas, ninguém melhor para nos fornecer este hand-out do que nossos alunos. Acho que o título mais coerente para esta aula seria Atualização Docente, por mais controverso que isso possa parecer para algumas pessoas. Por fim, na afliação do pré-aula, deixo os leitores com um poema de Álvaro de Campos - heterônimo de Fernando Pessoa - que creio dialogar um pouco com a nossa prática cotidiana, não só acadêmica, mas e, principalmente, humana. O texto está recitado por Paula Autran, não preciso falar mais nada depois disso...

Um comentário:

  1. Adorei o post. A cada dia aprendo que o primeiro passo, e talvez o mais difícil, seja chegar em sala despido. Despido do que a gente pensa que é a melhor aula, o melhor conteúdo, a melhor "didática". Tentar reconhecer ( e respeitar) as diferenças em uma sala de aula nos pequenos gestos e comentários) é o nosso desafio diário. Sei que essa sua ficha pode ser um grande primeiro passo.
    cheia de orgulho e aprendendo sempre ocm você,
    Renata

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