domingo, 6 de fevereiro de 2011

Aula I - Todos juntos nessa rede social


Há algumas semanas do Oscar e nas vésperas do retorno às aulas, o filme "Rede Social" (Social Network -2010), do diretor David Fincher, foi um interessante achado para iniciar as discussões deste blog. Digo isso, pois há muito tempo não via um filme que pensasse de maneira tão cotidiana o que é esta nova geração e quando digo "cotidiana" penso em como o diretor tratou do assunto sem ter sido obrigado a falar dele. Para quem não conhece a película faço um breve resumo antes de prosseguir: Mark Zuckerberg é um promissor estudante de TI na Universidade de Harvard. Muito habilidoso com computadores, programação e processamento de dados, Zuckerberg desenvolve um programa de ranqueamento das meninas de cada casa universitária com o único intuito de derrubar o sistema operacional central da famosa Universidade americana. A partir de seu sucesso na empreitada, Zuckerberg se torna conhecido no Campus e alguns dos mais ilustres alunos da instituição o procuram. Aqui entram os gêmeos Winklevoss que têm uma idéia rasteira do que poderia ser um site de relacionamentos, porém com códigos fonte fracos e pouca capacidade criativa. Mark, então, tem uma avalanche de idéias e abandona o que os gêmeos haviam pensado para desenvolver seu próprio site com ajuda e patrocínio do amigo brasileiro Eduardo Saverin. Surgia o Facebook. Daí para frente, a frase tema do filme responde o que acontecerá: "você não consegue 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos."
A narrativa - quase em tom jornalístico, com muitos flashbacks, diálogos afiados e sempre muito rápidos - apresenta uma dinâmica típica dos jovens das duas últimas gerações, repleta de emoções simples, envolvimentos curtos, novas concepções de sentimentos como amizade e amor, desejo por milhões de dólares e desprendimentos quase niilisticos. Um retrato de uma geração que funciona por manchetes, que tem uma noção de tempo muito peculiar e desenvolve relações - virtuais e pessoais - cada vez mais efêmeras e utilitárias. Por isso, para além das desventuras que envolvem a criação do famoso site Facebook, o filme retrata jovens que, inseridos nesta nova cartografia, agem e se pensam por uma estética individualista, na qual o que interessa não é o dinheiro ou a fama, mas o que cada um entende como importante. Para Mark o "importante" não era dinheiro nem fama, mas sim o orgulho e a satisfação pessoal de ter desenvolvido uma ferramenta de comunicação utilizada por milhares de pessoas no mundo. Como o próprio personagem repete algumas vezes para o amigo Saverin (que quer gerar renda através do site) durante o filme: "isso não é um negócio!".
E em que ponto isso toca diretamente em nossa prática discente? Ora, lidamos todos os dias com jovens pertencentes a esta nova geração e na grande maioria das vezes não compreendemos seus anseios e comportamento, pois criamos alguns esteriotipos relacionados à internet e ao esvaziamento cultural proveniente da rede. Não é por aí. Rede Social nos mostra que etsa geração possui uma leitura de mundo diferente da nossa por motivos óbvios e que nosso trabalho está mais ligado no reconhecer tais potencialidades e diferenças do que em um reenquadramento nos "moldes escolásticos". A narrativa que discute quem realmente teve a idéia do que veio a se tornar no site de relacionamentos mais popular do mundo, apenas funciona como um cenário para discutir quem são e o que desejam os jovens de hoje, quais são seus objetivos e o que lhes serve como backup para recomeçar a cada dia. Para além de um interessante filme, desde sua concepção até seu resultado final, Rede Social nos suscita uma pergunta insistente que fica martelando no cantinho do cérebro, naquele que funciona bem e nos diz todos os dias que somos professores: "como assimilar os anseios desta geração?" O que talvez soe mais irônico em não termos uma resposta que nos convença de todo é a sensação que a última cena do filme provoca... vale a pena conferir.





Um comentário:

  1. Agora só falta VOCÊ se juntar ao Facebook, né, Otávio? Eu entrei há pouco tempo e deixei pra trás o preconceito que tinha contra as redes sociais.

    Mas ainda não tenho Orkut. Nem Twitter.

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