sexta-feira, 4 de março de 2011

Aula 5 - Propaganda apelativa? Apelativa é a linguagem!

Que o marketing e as estratégias de propaganda, principalmente televisivas, transformaram a linguagem comunicacional cada vez mais agressiva todos nós já sabemos. Sabemos, também, que a propaganda ganhou muita força com o crescimento do consumo, o fortalecimento do sistema capitalista, etc etc etc. Porém, o que nem todos percebem é que o poder de convencimento que as propagandas tentam disseminar em seus slogans e mensagens é fruto de uma convergência de linguagens (visual, sonora, gestual, verbal) "diabolicamente" articuladas. Se alguns gostam de definir o cinema como uma indústria de sonhos, porque não pensar no mundo publicitário como uma máquina de construir necessidades? Sim, na maioria das vezes a propaganda está ligada a uma estratégia de consumo ou comportamento que interfere diretamente no que pensamos e definimos como prioridades ou objetivos. Por isso é tão impressionante o que a linguagem e, nesse caso específico, sua função apelativa podem construir com a astúcia do gênio humano. Mostrar isso aos alunos foi o ponto de partida para o trabalho deste primeiro bimestre nas turmas de primeiro período.
O conteúdo de funções da linguagem permite muitas possibilidades de aplicação e debate. No período passado, por exemplo, preferi trabalhar com video-clipes para discutir com os alunos como a linguagem verbal, principalmente nas funções emotivas e poéticas das canções, era transposta para a linguagem visual, adaptando a proposta inicial sem se apartar de vez dela. Desta atividade em sala surgiu a avaliação do período que consistia, basicamente, em fotografar cenas do cotidiano de sua cidade ou de sua vida que, de certa forma, "traduzissem" as letras de música que selecionei para os grupos. Agora, a escolha foram os comerciais de televisão. Trabalhamos em sala uma seleção de propagandas (algumas bastane engraçadas, como a do Pintos shopping e a do Guaravita) e discutimos como as linguagens se articulavam com a função apelativa para gerar a mensagem, se ela atingia o interlocutor como o desejado e se cumpria seu papel de "vender" um produto ou uma ideia. Daí surgiu a ideia do novo trabalho para meus ilustres gafanhotos, lembrando aqui do senhor Miyagi: cada grupo vai funcionar como uma equipe de marketing de uma empresa e terá que elaborar um produto novo e sua campanha publicitária. O intuito é despertar a capacidade criativa dos alunos, aliando o conhecimento das funções da linguagem e das linguagens envolvidas.
Estou ansioso para ver os resultados. Os grupos já estão trabalhando e pelo que pude perceber em sala de aula, acho que suas cabecinhas já estão fervilhando de ideias, enquanto a minha gera milhares de expectativas por segundo. Na verdade, acho que isso só acontece porque eu idealizo os trabalhos para meus alunos pensando nos trabalhos que eu gostaria de ter feito na escola. Há um viés muito emotivo quando paro para pensar as atividades e avaliações para minhas turmas, e isso sempre deixa um sabor de dever cumprido quando vejo o que vi após propor esta tarefa: um sorriso no rosto de cada e um olhar de quem imagina mil coisas, ao mesmo tempo.
Deixo para vocês hoje duas propagandas que fizeram grande sucesso nas turmas. A primeira é dos anos oitenta, abusa da função apelativa da linguagem e faz a gente questionar até as leis da física. Trata-se do Pirocoptero e todo seu charme. Reparem no cabelo da mulher quando o menino dispara seu pirocoptero:




O segundo sensibilizou até os meninos mais ogros de nossas fileiras acadêmicas. Valoriza mais a mensagem e faz isso com primor. Merece ser visto e revisto por muitos publicitários em atividade:



No fim, gostaria muito que os alunos pudessem perceber como a linguagem publicitária é capaz de "manipular" nossas necessidades, mas quero que eles percebam isso "de dentro", no papel de quem elabora a propaganda e não com aqueles discursos, muitas vezes hipócritas, de consumo consciente. Vamos ver no que vai dar. Assim que eu souber, eu conto!

3 comentários:

  1. Otavio,
    Quando eu estava na 5 série, muito antes de haver netbooks e ipads, eu inventei e fiz o comercial da MTM ( menor tv do mundo) que era feita de uma caixa de fosforo forrada com papel camurça. O que me lembro bem é de como nos divertimos e aprendemos com isso.Fico sempre admirada com a sua preocupação e esforço para conscientizar os alunos de que eles são os protagonistas do processo de aprendizagem.
    Estou curiosa para ver os resultados!
    beijocas,
    Re

    ResponderExcluir
  2. Otavio,
    Amei o seu blog e vou passar por aqui de vez em quando! Obrigada por compartilhar suas experiências conosco. Amei o post!
    Abraços.

    ResponderExcluir
  3. Ahhhh... eu tive um pirocoptero! Mágico...

    ResponderExcluir