terça-feira, 19 de abril de 2011

Aula 8 - É preço!!!!


No dia 04 de março de 2011, escrevia o post “Propaganda apelativa? Apelativa é a linguagem!” que discutia a função apelativa da linguagem, sua utilização pelos publicitários e anunciava a proposta de trabalho do bimestre dos meus alunos de primeiro período. Pois bem, após muitas promessas e falatórios típicos de alunos animados e que querem impressionar o professor e os colegas, os trabalhos foram apresentados no último sábado e não foram poucos os motivos que me fizeram sorrir. Além do humor muito bem utilizado pelos grupos e  pitadas de ironia e sarcasmo a gosto, foi muito legal perceber que eles captaram o espírito do trabalho que era criar e promover um produto, utilizando a função apelativa como viés de convencimento do consumidor.
Todos capricharam em seus vídeos e criações e embutiram nas piadas (nada previsíveis) as características básicas de uma boa propaganda de divulgação de um produto. Pegar o consumidor por apelos financeiros, por necessidades de atualização, ou mesmo pela criatividade de um slogan ou jingle, foram estratégias de quase todos os comerciais produzidos. Como toda proposta de ensino por interação, foi bacana perceber como eles se reconheceram como sujeitos daquele instante na relação ensino-aprendizagem, pois ficou claro que eles apenas lapidaram qualidades que já possuem e nunca tinham pensado em desenvolver. Descobrimos grandes publicitários (aguarde Olivetto), ótimo atores e comediantes de primeira. No mais, creio ter deixado com eles a certeza de que podem desenvolver qualquer atividade por eles mesmos, aproveitando seu conhecimento de mundo e sua leitura sócio-cultural dos espaços da escola e da sociedade. Deixo como aperitivo dois trabalhos que se destacaram, um em cada turma, não por uma questão avaliativa que toma para si os conceitos de erro e acerto, mas por me terem a estrutura quase perfeita ( e o quase é um excesso de zelo epistemológico) de um comercial de tv nos moldes tradicionais. Lembrem-se de que são meninos e meninas entre 14 e 16 anos, com câmeras amadoras, sem cenários elaborados, mas com idéias a mil na cabeça.


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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Aula 7: "A batalha de Volta Redonda"



Semana passada, durante uma aula sobre novelas de cavalaria e formação da literatura portuguesa, um aluno que havia faltado no dia anterior me entregou um texto acreditando ser um trabalho avaliativo. Tudo porque combinamos, os alunos que ficaram para minha aula e eu, que no dia seguinte diríamos aos alunos que debandaram que houve um trabalho avaliativo e que eles perderam a oportunidade de ganhar alguns décimos preciosos para o fim do bimestre. O mais curioso é que o aluno, produziu um texto sobre a aula que estava correndo, que já não tinha nada mais a ver com a anterior, e sua experiência de escrita revelou uma criatividade - no mínimo - curiosa sobre os conceitos de adaptação e apropriação do passado no presente. Mas, o próprio texto fala melhor por si. Publico então, na íntegra, com a grafia e a autorização do aluno Levi Garuti, seu texto de cavalaria "A batalha de Volta Redonda: o mito e a lenda":

"Conta a lenda que em 1756, Levi, um grande guerreiro, com grande porte, salvava seu exército, com apenas um anel.
Era uma manhã, como outra qualquer, quando o grandiosíssimo guerreiro Levi, foi a igreja para rezar, quando sentiu algo diferente e foi para o banheiro. Quando lá chegou, o padre já estava, e falando para o guerreiro disse: “Vá para a guerra, pois seu talento é grandioso!” e sem nada a perguntar, se retirou.
Voltou para sua casa, almoçou aipim com filé, esperou 2 horas para digestão e começou a chamar seus guerreiros para lutar contra a Vila Brasília.
Marcado foi o duelo na Beira Rio (Retiro), quando lá chegou com seus 299 cavaleiros, já estava a “negada” reunida com mais de cinco mil.
Lá chegando, disse:
- Vocês não podem conosco!
- Hhuahausuahuhsashhuahsaus... vocês são só 299.
- Mas eu, o bonitão malhado, estou aqui!
- Então vamos começar a batalha!
- Vão “bora”!
Depois quando a guerra já estava terminando sobre um guerreiro do exército menor, Levi. Ele teve de lutar contra 4.500 guerreiros e Venceu!
E a multidão não acreditando no que via gritando para Levi:
- Levi! Levi! Levi!
E as mulheres dessa multidão mais precisamente gritaram:
- Lindo! Tesão! Bonito e “gostosão”!
E diz a tradição que o prefeito Neto mandou fazer uma estátua do guerreiro, para ser lembrada em todas as gerações futuras."

Não resta muito a fazer depois disso... Talvez só mesmo ir visitar o monumento em memória aos que morreram na batalha, às margens da avenida Beira-Rio...