terça-feira, 31 de maio de 2011

Aula 10 – Qual é o time? Qual é o time? ... Wildcats!!!!






Há uma semana ocorreu a primeira gincana organizada pelo grêmio estudantil. Quando pensamos neste tipo de evento é impossível não recordarmos de nossa época de colégio, de nossas histórias curiosas e de programas de TV que tanto reproduziram o modelo de competição entre escolas. Pois bem, as coisas ocorreram mesmo por aí, com as devidas restrições orçamentárias e sem as parafernálias e tortas na cara no estilo passa ou repassa. O evento contou com arrecadação de doações e livros; apresentações de dança (na verdade uma só); concurso de vídeos engraçados (só dois inscritos) e um campeonato de fustal inter-classes.
A participação dos alunos e dos professores, além da integração dos funcionários e coordenadores foi fundamental para o bom andamento do evento, com exceção  de um certo juiz improvisado que, digamos, errou a mão ao apitar um jogo e de um certo técnico-professor que resolveu lutar pelo seu time.



 Brincadeiras a parte, o fato é que a gincana foi um evento que abriga os sentimentos e desejos mais próximos do pensamento deste blog: a interação entre os setores e sujeitos participantes do processo de ensino-aprendizagem. É claro que entre o evento se preocupar com isto e tudo ter ocorrido desta forma há um abismo enorme, e o há por vários motivos que vão desde a ocupação do horário das aulas para um evento de caráter lúdico, até o planejamento e engajamento dos alunos de maneira mais atuante. Mas a primeira vez sempre funciona como experiência provocadora para a segunda e a terceira e a quarta e por aí vai. Certamente a gincana do grêmio estudantil do próximo ano/semestre será melhor. O que fico pensando e penso de verdade e se todos a encararão desta maneira. Ser sujeito em qualquer processo educacional exige, antes de qualquer coisa, o respeito do diálogo contínuo e do compreender os desejos e anseios do outro e em processos em que há sujeitos não pode haver níveis hierárquicos de controle.


Ficamos por aqui lembrando de uma implacável cena do passa ou repassa, aquela competição de escolas tão famosa ancorada por Gugu... Vejamos e até a próxima.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Aula 9 - Palavra Afiada parte II



(O estúdio de gravação antes de nossa passagem gloriosa)


Os leitores deste blog já conhecem o projeto Palavra Afiada que comecei a desenvolver com alunos do curso de automação da escola em que leciono. A partir do tema "De heróis, amores e música: um passeio pela literatura", as ideias foram surgindo e logo se pensou em capítulos nos moldes de séries de televisão que contextualizassem e discutissem os modelos de herói e amor ao longo dos tempos e, principalmente, os reflexos de tais modelos em nossos dias.
O primeiro roteiro a ser produzido partiu de uma ideia do aluno Talis Pinho que acabou agradando a todos e sendo desenvolvida pelo grupo, tanto no plano da escrita quanto na representação artística (se é que poderemos chamar nossas encenações dessa forma). O fato é que, com exceção do Samuel, nenhum de nós havia entrado em um estúdio de gravação para representar algo que não era real. Transpor a escrita para a palavra falada, com expressões corporais condizentes e convencimento no tom de voz e na atuação é uma tarefa bastante complicada e nós sofremos com isso. Falo nós, pois também sobrou para este que vos fala dar uma palinha diante das câmeras, coisa de prossifional do sono. Todo este processo de se reunir e discutir ideias sobre um tema e seus possíveis desdobramentos é deveras produtivo e sempre revela talentos e afinidades, porém expor diante de câmeras uma fala que não é sua e que tem de parecer sua a qualuer custo é muito difícil. No fundo, percebemos com a expriência que é muito complicado ser um outro, pensar como um outro, falar como um outro, sentir como um outro. Ser nós mesmo já quase beira a loucura, imagine ser quem não somos. O que me surpreendeu bastante foi o comportamento maduro dos presentes, todos conscientes de que estávamos realizando algo por demais interessante e que não deveria ser levado na bgunça. Por mais brincadeiras que tenhamos feito, piadas e bobagens para aliviar a tensõ de estar em frente às câmeras, tudo teve uma seriedade extrema. Entender que aquilo era um desafio a ser vencido e que era fundamental para que o projeto continuasse no mesmo ritmo foi um pensamento comum, quase velado, uma espécie de pacto intuitivo que fizemos para nos dedicarmos ao extremo.
Gravamos dois depoimentos que serão inseridos ao longo da cena principal. O primeiro traz a visão de amor de um cara da comunidade, que entende que o amor não é algo sagrado e que a monogamia é uma bobagem. Cheio de gírias e de necessidades visuais importantes, o personagem tomou parte do nosso tempo para encontrarmos o tom certo nas filmagens. Já o segundo depoimento tratava da opinião de uma doutora em literatura que explicava brevemente o porquê do sofrimento do jovem em questão com relação ao amor não-correspondido do esquete.
Gravar os depoimentos antes da cena principal nos fez pensar, também, em como a televisão e o cinema trabalham as histórias por partes e que seu resultado final está tão determinado pelo editor das imagens quanto pelos diretores de fotografia e de ação. Enfim, a experiência nos rendeu muitas novas ideias e isso vai será relatado em outros posts, no decorrer dos novos passos do projeto. Por hora, deixamos um pequenino aperitivo do making off gravado aleatoriamente durante o trabalho sério.

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