sexta-feira, 27 de maio de 2011

Aula 9 - Palavra Afiada parte II



(O estúdio de gravação antes de nossa passagem gloriosa)


Os leitores deste blog já conhecem o projeto Palavra Afiada que comecei a desenvolver com alunos do curso de automação da escola em que leciono. A partir do tema "De heróis, amores e música: um passeio pela literatura", as ideias foram surgindo e logo se pensou em capítulos nos moldes de séries de televisão que contextualizassem e discutissem os modelos de herói e amor ao longo dos tempos e, principalmente, os reflexos de tais modelos em nossos dias.
O primeiro roteiro a ser produzido partiu de uma ideia do aluno Talis Pinho que acabou agradando a todos e sendo desenvolvida pelo grupo, tanto no plano da escrita quanto na representação artística (se é que poderemos chamar nossas encenações dessa forma). O fato é que, com exceção do Samuel, nenhum de nós havia entrado em um estúdio de gravação para representar algo que não era real. Transpor a escrita para a palavra falada, com expressões corporais condizentes e convencimento no tom de voz e na atuação é uma tarefa bastante complicada e nós sofremos com isso. Falo nós, pois também sobrou para este que vos fala dar uma palinha diante das câmeras, coisa de prossifional do sono. Todo este processo de se reunir e discutir ideias sobre um tema e seus possíveis desdobramentos é deveras produtivo e sempre revela talentos e afinidades, porém expor diante de câmeras uma fala que não é sua e que tem de parecer sua a qualuer custo é muito difícil. No fundo, percebemos com a expriência que é muito complicado ser um outro, pensar como um outro, falar como um outro, sentir como um outro. Ser nós mesmo já quase beira a loucura, imagine ser quem não somos. O que me surpreendeu bastante foi o comportamento maduro dos presentes, todos conscientes de que estávamos realizando algo por demais interessante e que não deveria ser levado na bgunça. Por mais brincadeiras que tenhamos feito, piadas e bobagens para aliviar a tensõ de estar em frente às câmeras, tudo teve uma seriedade extrema. Entender que aquilo era um desafio a ser vencido e que era fundamental para que o projeto continuasse no mesmo ritmo foi um pensamento comum, quase velado, uma espécie de pacto intuitivo que fizemos para nos dedicarmos ao extremo.
Gravamos dois depoimentos que serão inseridos ao longo da cena principal. O primeiro traz a visão de amor de um cara da comunidade, que entende que o amor não é algo sagrado e que a monogamia é uma bobagem. Cheio de gírias e de necessidades visuais importantes, o personagem tomou parte do nosso tempo para encontrarmos o tom certo nas filmagens. Já o segundo depoimento tratava da opinião de uma doutora em literatura que explicava brevemente o porquê do sofrimento do jovem em questão com relação ao amor não-correspondido do esquete.
Gravar os depoimentos antes da cena principal nos fez pensar, também, em como a televisão e o cinema trabalham as histórias por partes e que seu resultado final está tão determinado pelo editor das imagens quanto pelos diretores de fotografia e de ação. Enfim, a experiência nos rendeu muitas novas ideias e isso vai será relatado em outros posts, no decorrer dos novos passos do projeto. Por hora, deixamos um pequenino aperitivo do making off gravado aleatoriamente durante o trabalho sério.

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