domingo, 5 de junho de 2011

Aula 11 - Vale ponto, professor?




Há duas semanas atrás, discutiamos em uma reunião institucional métodos e processos de avaliação. Em meio a opiniões diversas, muita discussão (dessas que levam a algum lugar) e brincadeiras, chegamos a conclusão de que avaliar é uma atividade predominantemente subjetiva já que partirá sempre do olhar de dois sujeitos, o que avalia e o que é avaliado. Não importa se os instrumentos avaliativos são tradicionais ou opressores como provas e arguições ou se a avaliação se dá de maneira mais livre, por um processo de acompanhamento contínuo do aluno e de sua aprendizagem, sempre seremos avaliados como cidadãos, profissionais, emocionalmente, etc.


Esta semana se iniciam as avaliações do segundo bimestre. Nossa escola trabalha com um modelo semestral e não com o tradicional calendário de ano letivo. Neste senido, a cada semestre nossos alunos vivem as tensões que a maioria dos outros alunos sentem apenas nos meses de novembro e dezembro. Vejam, não estou falando que eles são prejudicados por isso, mas o sistema semestral faz com que o fantasma da reprovação apareça muito mais cedo que o normal. É o momento em que alunos projetam suas expectativas pessoais e sobre a "bondade" dos seus mestres, enquanto nós professores cumprem seu papel de avaliar (diga-se de passagem, papel ingrato esse). Mas, como ser justo nessa hora? A prova é, ainda, o instrumento de avaliação mais presente e por motivos óbvios: todos os acessos de universidades são por provas; a ascensão profissional dentro de uma grande empresa é por prova; os concursos públicos selecionam servidores por meio de provas. Logo, tendo esta perspectiva futura, nossos alunos de ensino médio não podem ficar tão afastados desta realidade, então, como relacionar a necessidade futura do alunado com novas propostas de avaliação? É difícil´, sabemos. Os alunos, em grande parte, querem apenas passar. Quase todos sonham com a média necessária para que, ao lado de seu nome, vigore uns números pequeninos em tinta azul. No fundo, concordo com eles. Em muitos casos, somos avaliados pelo que menos importa, pelo que menos nos diz o que somos e aí, o que vale mesmo é a nota azul, que sendo seis ou dez tem o mesmo peso na conclusão final: aprovado.


Eu, professor, faço provas ainda. As preparo com certo cuidado em proporcionar o máximo das experiências vividas em sala nas questões, nos textos e mesmo no que espero como resposta. Complemento a prova com trabalhos que buscam explorar a criatividade e a capacidade de produção que os jovens de hoje têm, com tantas ferramentas à sua disposição. Sei que muitos mestres pensam que esta não é a melhor maneira de avaliar, nem a mais eficiente, nem a que melhor observa se o aluno aprendeu (decorou) determinado conteúdo... fazer o quê, ser avaliado talvez seja o maior obstáculo de nosso tempo. Mas difícil mesmo é avaliar.