quinta-feira, 21 de julho de 2011

No balanço das férias, um balanço para o segundo semestre

Minhas férias não foram nenhum pouco frustradas, mas não tem como falar de férias sem lembrar deste filme


Todo mundo já ouviu pelo menos uma vez na vida a famosa frase "Professor ganha pouco, mas tem férias duas vezes no ano!". Por mais absurdo que isso possa parecer é verdade. Temos férias como todo trabalhador e o recesso de meio de ano que separa o primeiro semestre do segundo. Sim eu tenho duas férias no ano, e daí? Problema o seu se você não tem! Nessa semana final de recesso de julho (sim, semana que vem temos a aguardada semana de planejamento), aproveitei para arrumar os cursos que darei no próximo semestre, pensar em textos e abordagens que posso utilizar para imprimir um novo ritmo aos conteúdos que estão nos programas. Planejar exige pesquisar e pesquisar é sinônimo que revirar nossas memórias longinquas, do tempo em que nem nós mesmos já lembrávamos. Fotos, textos, escritos em geral, provas... Revirar a criança que fomos faz com que sejamos melhores, tenham certeza. Encontrei alguns pormas que escrevi e sinceramente não sei o porquê; vi provas que elaborei e jamais o faria de novo; fotos de amigos que já não vejo há muitos anos; rastros do que fomos que levam ao que nos tornamos. Toda essa nostalgia nas vésperas do retorno ao trabalho me fez pensar no tempo e em como nossas medidas para ele mudaram tão bruscamente. Há dez anos atrás eu tinha 20 anos, a internet ainda era uma possibilidade sem banda larga expandida como hoje, o video-game da moda era o playstation I, eu estava no segundo ano da faculdade, já lecionava há dois, tinha certeza de que queria ser professor, mas arriscava ser poeta de quando em vez. Dez anos depois tenho um playstation 2 estacionado no rack da sala, pois jogo freneticamente PES 2011 para PC, minha internet além de banda larga é wireless, já qualifiquei meu doutorado e pretendo defendê-lo ano que vem, continuo sendo professor e o poeta que se arriscava quando em vez, hoje escreve auroras no limiar das manhãs, enquanto observo minha esposa dormindo. O segundo semestre está batendo na porta, mas antes dele visitei o porão - quase sem querer. Deixo uma amostra dessa bagunça, no melhor estilo antes e depois:

ANTES


DEPOIS

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Aula 12: Quer um conselho? Só se for de classe...




Após um semestre letivo fechado chega o grande dia: o conselho de classe. Fileiras de alunos nos corredores parando os professores a todo o momento, perguntando a mesma coisa repetidamente: "Professor, eu consegui passar?". Olha, vou confessar que meu lado humano se comove em alguns casos. Vejo pessoas que realmente se dedicaram, ou que perceberam que era necessário fazer isso e empenharam boa parte dos últimos dois meses a apreender algo dos conteúdos e acabam decimalmente desiludidos.
Recentemente discuti nesse blog questões sobre critérios e métodos de avaliação. Trouxe anseios, medos, propostas, dúvidas. falei do que é avaliar pra mim, pensei que lidamos com seres humanos que acreditam em muitas coisas, inclusive na vida. No fundo temos uma guerra de vítimas. Os alunos se sentem vítimas de provas difíceis, de muitos trabalhos, de poucos trabalhos, de décimos, aproximações, etc. Os professores, de seu lado, também se sentem vítimas pois não querem receber a alcunha de algozes, de carrascos, não querem se sentir responsáveis pela reprovação dos alunos. Trata-se de um jogo em que, infelizmente e com raras exceções, as cartas já se apresentam marcadas e o baralho viciado a cada mão. Então, sabendo disso, coordenadores, pedagogos e os próprios professores elaboram um conselho de classe. Uma reunião que busca a compreensão de todos (ou da maioria) para a aprovação/reprovação deste ou daquele aluno. Os argumentos prévios estão estabelecidos, todos se conhecem, sabemos que irá liberar ou não um aluno que pende para os dois lados da ponte, mas estamos lá, firmes, acreditando no que acreditamos para não deixar de acreditar em nós mesmos. Parece filosofia barata, muito barata, mas é verdade.
Nunca quis nem pensei em julgar ninguém, nem acho que um dos lados neste processo esteja errado, o problema reside na normalidade com que certos conceitos e demonstrações desses conceitos funcionam como ferramentas que interferem diretamente na vida de uma ou mais pessoas. Afinal, há professores que julgam desenpenho e interesse dos alunos, mas alguém que faça o mesmo com os professores? Um conselho de classe que deixo sobre estas minhas confusas e pouco findamentadas opiniões sobre aprovação/reprovação é o seguinte: aproveitem as férias que em agosto estamos de volta. Para além, vale conferir o vídeo abaixo: