sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Aula 16: "Vai ter aula professor?" 2 - A missão



Pois é, a greve continua, a luta continua e as aulas não continuam. Não continuam na prática, na escola, mas aqui no diário de classe elas continuam. Claro que sem todas as formalidades de um curso regular, mas com o mesmo empenho em selecionar o material e as indicações para os alunos. Então, hoje iremos intensificar nosso período de paralisação com algumas dicas que seguem a regra do Carpe Diem, ou aproveite o dia em tradução quase literal. A expressão latina, muito utilizada como lema pelos autores e pensadores do período árcade no Brasil, e no neoclassicismo na europa, funcionou, na verdade, como uma crítica ao pensamento cristão, ainda muito contaminado por vestígios da idade média recuperados pela Inquisição, que pregava que todos os seus atos na terra seriam julgados no dia do juízo e você iria para o inferno se não fosse um bom menino. Mais ou menos dizer que se você não for um bom menino Papai Noel não traz presente pra você no natal. Neste sentido, o Carpe Diem funcionou como um escape destas amarras religiosas e como uma afirmação da razão sobre a fé, o que incluia, neste caso, uma valorização da figura do homem perante a figura divina. Aproveitar o dia, portanto, era viver a vida do seu jeito, sobre seu próprio juízo, sem condicionar seus atos a uma crença ou religião qualquer que fosse. Não a toa os árcades/neoclassicistas recuperaram a cultura greco-latina, incluindo sua religião politeísta e exaltou em muitos momentos os deuses do Olimpo. Hoje, em mais um post de greve, este blog traz referências contemporâneas do Carpe Diem, que devem ser experimentadas por todos. Seguem as dicas:


1. Save Ferris: O filme é um clássico dos anos oitenta, figurinha carimbada da sessão da tarde e se tornou um filme cult por conseguir sintetizar os anseios de uma geração em um personagem debochado e muito divertido. Vale a pena conferir para quem nunca assistiu e quem ja viu deve ver de novo:



2. Essa é mais recente, mas também vem do cinema. Um grupo de amigos resolve viajar para Las Vegas com a finalidade de fazer uma despedida de solteiro para o que se casa em poucos dias. Como já estamos cansados de saber, nada que se vai fazer em Las Vegas, no cinema, tem um final tranquilo...



3. Por fim, uns menininhos muito inteligentes, politicamente corretos e com muita educação que conseguem transformar uma cidade do interior do Colorado em um verdadeiro espetáculo da vida humana. Com vocês South Park:



sábado, 20 de agosto de 2011

Aula 15: Vai ter aula professor?



A greve é um direito constitucional do trabalhador e serve como ferramenta de reivindicação em casos extremos de insatisfação, seja com a remuneração salarial, as condições de trabalho ou mesmo a conjuntura sócio-política de um determinado momento. Portanto todo movimento de greve é um movimento de luta, com caráter ideológico e reivindicatório. O fato de se ter este dispositivo como um direito legal demonstra os avanços que nossa sociedade conquistou ao longo do século XX, principalmente com relação aos trabalhadores. Talvez a última prova disto tenha sido a eleição e a reeleição de Lula como presidente, um dos maiores líderes sindicais de nosso país.
Pois bem, a greve é um direito e direito se exerce ou não. Este é um outro ponto. Aderir a um movimento grevista representa das duas uma: ou a afinação ideológica com o movimento que se forma, ou o desejo de, mesmo não tão favorável às diretrizes do movimento, auxiliar os demais nas lutas de sua categoria. Porém há greves e greves e paralisar áreas como educação e saúde é sempre complicado, pois lidamos com pessoas, seja com os alunos/pacientes, seja com seus pais/parentes. O ponto então é o seguinte: há como exercer o direito de greve sem causar traumas? A resposta é tão simples quanto a pergunta: Não! E devemos compreender que, neste caso, os traumas devem ser minimizados ao máximo, principalmente com relação aos alunos. A prática da docência é também uma prática de negociação constante, apesar de alguns professores ainda terem como imagem de sua profissão o autoritarismo e a relutância em ouvir. Repor as aulas paralisadas em um período em que aconteceriam as férias é o menor dos fatores que envolvem esta equação. Na verdade, o que importa é como estas aulas serão repostas? Que critérios serão levados em consideração para as avaliações após a retomada das aulas? De que maneira agiremos com nossos alunos durante o processo de greve? Levaremos em conta as peculiaridades de estudar durante o que seriam as férias e atenuaremos em nosso respectivo trabalho questões práticas como o calor e a reprogramação familiar do aluno?
Sim, são só perguntas. São questionamentos de uma mente inquieta que vive pela primeira vez uma greve do lado de quem a faz e não de quem a sofre. Fui aluno de graduação do curso de letras na UFF durante a Era FHC e vivi uma das maiores greves de professores das Universidades Federais de todos os tempos. O vestibular foi adiado, nosso período letivo que terminaria em dezembro acabou em março, alguns professores encerraram suas aulas quase dois meses antes do término da reposição pois tinham viagens marcadas. Outros dobraram a carga horária para dar conta do conteúdo no prazo previsto... Por isso, confesso que é difícil responder a um aluno quando pergunta se teremos aula ou não. É difícil, para mim, ver um olhar desapontado, pois o período mal começou e já não se tem aulas... é difícil... mas a greve já foi deflagrada e, de minha parte, todas as ações que seguem a este fato serão conduzidas por uma única diretriz: prejudicar o mínimo possível os alunos. Até a aula 16, quem sabe com aula!


domingo, 14 de agosto de 2011

Aula14: Politicamente (in)correto

Tenho feito algumas pesquisas sobre os anos 80 para nosso projeto da SEMATEC e sempre me deparo com uma mesma pergunta na cabeça quando termino de ver uma cena ou ouvir uma música da época: “Será que isso seria taxado de preconceituoso ou politicamente incorreto se fosse feito hoje?”
Parece uma bobagem me perguntar isso, mas cada vez mais percebemos que há um anacronismo no comportamento de nossa sociedade. Vamos materializar isto em exemplos começando pelo “inocente” humorístico dos trapalhões (desde os anos 70). Didi, Dedé, Mussum e Zacarias povoavam nosso domingo com piadas e esquetes de humor que satirizavam minorias, enalteciam determinados comportamentos, valorizavam a esperteza em detrimento dos formalismos, etc. Falando assim, com a frieza estúpida das letras, pode parecer um show de horrores, mas o programa (que era excelente aliás) era indicado como livre, sem taxação de faixa etária e assistido por milhares de crianças pelo país a fora.



Outro forte viés neste sentido é o musical. Devemos ressaltar que se tratava de um período de transição política e que tal fato impulsionou uma geração inteira de contestadores, principalmente no movimento pop-rock que se construiu ao longo da citada década. Vamos destacar em especial algumas músicas para entender a questão. Os paulistas do Ultraje a rigor talvez sejam os mestres na arte da contestação debochada e é de sua obra que trago duas músicas: “Sexo!” e “Eu gosto é de mulher!”. Na primeira, temos uma ode ao ato sexual que passa, inicialmente, por uma crítica aberta e direta à censura ainda em vigor no país e segue questionando o que realmente é imoral, comparando grandes problemas da época como a guerra espacial, o terrorismo, a inflação estratosférica e a corrupção com a nudez e o fato de se censurar as referências sexuais na tv e no cinema. Já em “Eu gosto é de mulher!” a letra dialoga com duas questões que poderiam vir a ser criticadas hoje: a exaltação da mulher como um ser desejado e (quem sabe) ser considerada uma letra homofobica, apesar de um meã culpa que Roger faz em alguns versos ao dizer que “tem amigos gays”. O fato é que não sei se as duas não seriam atacadas hoje, como aconteceu com Tiririca com relação a um suposto preconceito racial na música “Veja os cabelos dela”. Os motivos que nos levam a certos tipos de censura hoje, pela centelha luminosa do ser politicamente correto, do estar inserido nos preceitos morais, são mais diversos que os que abastecem a famosa “censura cega”; mas uma “censura da óculos” também não é uma censura?




O que mais tem me assustado em todo este processo é que os novos limites do que se pode e de como se pode dizer tem despertado um conservadorismo voraz que, não me parece tardar, instaurará uma crise de convivência de valores e ideologias na sociedade. Os movimentos históricos nos ensinam que o comportamento do homem se move em ciclos, que vem e vão de acordo com circunstâncias que, muitas vezes, fogem do seu próprio controle. O respeito à diversidade racial, cultural, regional, sexual e religiosa sempre será uma bandeira de todos os cidadãos conscientes e minimamente responsáveis por suas atitudes e gestos, porém, a própria roda da História nos mostra que tal respeito sempre se conquistou por conscientização e nunca por força. Censura é força, gera medo, receio ao segurar a caneta, ao entoar algum canto novo no microfone... enquanto até a mulher maravilha dá uma fugidinha com o superman e ninguém acha ruim, eu vou seguindo no meu ônibus Volta Redonda – Rio, pensando se terá algum problema incluir músicas tão irresponsáveis como “Eu gosto é de mulher!”, “Sexo!”, “Amante profissional”, “Calúnias”, “Meninos e meninos”, “Polícia”, dentre tantas outras, no setlist que alunos executarão como parte do projeto. Por hora é só!


sábado, 6 de agosto de 2011

Aula 13: Todo o romantismo do recomeço!

Nesta semana recomeçaram as aulas no Instituto. Como havia falado por aqui durante as férias, meu desafio deste período está com as plagas literárias do Romantismo e a dureza gramatical das classes de palavras. Por opção, resolvi puxar o fio da meada pela literatura e assim começamos nossos encontros. Tentei, desde o começo, demarcar para e com os alunos que a palavra-chave deste período literário, principalmente no Brasil, é idealização. Sim, idealiza-se o conceito de nação, a identidade nacional, o amor, a mulher, a morte, a liberdade, o herói, a sociedade, etc.
Partindo disto a proposta foi simples: selecionei três excertos literários, dois de Álvares de Azevedo (um de Macário, outro um poema) e um do português Pedro Paixão. Os três trabalhavam com a idealização da mulher e do amor em níveis de significação diferentes e quis começar por este tema por entendê-lo como mais próximo das discussões de suas vidas adolescentes. No primeiro momento vimos uma parte do diálogo entre Macário e Penseroso. Neste momento da peça teatral, Macário acabara de estar com sua mulher amada e conversa com seu amigo Penseroso como as coisas aconteceram e como ele se sente. O diálogo escrito por Álvares de Azevedo irá, então, opor a idealização extrema de Penseroso ao falar do amor e das mulheres de maneira generalista, muito pessoal ao elogio do amor realizado que Macário promoverá ao demonstrar como a mulher próxima, possível pode ser tão ou mais interessante que a intocável, inatingível. No segundo momento lemos o poema "Morena", também de Álvares, em que se percebe sem muito esforço traços de todas as principais características ultrarromanticas, dentre elas a idealização extrema da mulher, do amor e da própria morte. A intenção foi demonstrar que um mesmo conceito pode ser relido pelo mesmo autor por vias diferentes, que nem nos estilos de época existem fórmulas totalmente fechadas. Depois, e por fim, lemos um micro conto (ou seria uma crônica?), de Pedro Paixão intitulada "Por que os amantes morrem", do livro Nos teus braços morreríamos. Neste texto, já dos anos 2000, vimos o amor como perda e suas possíveis reconstituições mais aproximadas da ideia de prazer e desejo, como a mulher, por vezes, vista até mesmo como um produto, que se pode comprar por alguns momentos. O mais curioso desse texto é que mesmo tratando os temas do amor e da mulher de forma muito crua, Pedro Paixão ainda vive em sua escrita uma idealização irremediável que transforma seu micro conto em uma verdadeira elegia ao cotidiano da solidão.
É óbvio que com textos tão profícuos para análise as interpretações mais diversas surgiram, muitas piadas, duplos sentidos, momentos para rir intensamente, outros para refletir sobre as transformações do olhar literário para temas tão comuns ainda hoje (e sempre). Além da alegria das primeiras aulas e das tiradas engraçadas de algumas figuras, é sempre bom reencontrar os alunos, perceber que, aos poucos, vão amadurecendo, tomando consciência da vida (da sua e da abstrata, de todos nós). Não poderia deixar de citar duas pérolas da semana:

Eu pergunto: "Que grande evento aconteceu cem anos depois da independência do Brasil?"
Aluno responde: "O centenário da independência!"

Eu pergunto: "O que acontece quando o Brasil sai da era colonial?"
Aluno responde: "Entra na era Medieval!"

Depois disso, só mesmo sendo Exagerado (manja o computador do Cazuza)!



Especialização I: Começando



Na noite desta terça-feira iniciaram minhas atividades no curso de especialização de História e cultura africana e afro-brasileira. A expectativa de um primeiro dia de aula é sempre muito intensa, principalmente quando seu público reúne profissionais da área educacional, alguns com mais experiência de sala de aula do que você. Medos e ansiedades a parte, o primeiro dia de aula foi muito melhor do que eu esperava. A turma, basicamente formada por historiadores, com dois filósofos, três pedagogas e uma colega da área de letras (por enquanto), enriqueceu bastante as discussões propostas trazendo suas visões de formação acadêmica mescladas ao olhar curioso de leitores. Minha estratégia de propor uma atividade de discussão de poemas como estopim de suas expectativas para o decorrer do curso funcionou  bem e agora posso dizer que tenho definidas as linhas que pretendo seguir durante essa experiência. Iremos trabalhar com a literatura africana de língua portuguesa e com as discussões sobre literatura afro-brasileira com a intenção de demonstrar como o texto literário pode ser um  instrumento de trabalho a mais para a aplicação/discussão de conteúdos em História, Pedagogia, Letras, Filosofia, etc. Pretendo publicar semanalmente no blog as propostas e os “resultados” de tais atividades para que possamos ampliar nosso espaço de debate. Deixo vocês com um dos poemas que geraram mais discussão na aula de terça. Trata-se de “Casamento de conveniência”, do moçambicano Rui Knopfli. Um abraço.


Meus pais não querem que ame
A quem amo.
Pretendem que me case contigo,
Juventina.
Não és boa, nem és má,
Nem bela, nem feia
E dizem-te prendada e virtuosa
Mas, quanto te aborreço!,
Juventina.
Dão-me um automóvel e uma casa
Pra que case contigo,
Juventina.
Tens um nome que te quadra à figura,
Rapariga,
E trazes intacto o selo necessário.
Seremos na vida como dois funcionários públicos
Da mesma repartição
Cujas obrigações obrigam-se a ver-se e a contactar
Diariamente.
Nada mais.
Com a tua estupidez morreremos
de chatice
e levar-te-ei obrigatoriamente
ao cinema, uma vez por semana.
Aceitarás com submissão
Que te mande à merda de quando em vez
E não farás muitas ondas.
Sei que não pedes mais,
É pegar ou largar,
Juventina.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Semana de Planejamento: "Vamos voltar pro segundo tempo com mais garra e fazer o que o professor pediu..."


A semana de planejamento é um estágio preparatório para o semestre seguinte, período em que discutimos questões relevantes à prática docente, à burocracia e à administração da gestão escolar. Essa é uma definição categórica da semana da planejamento, mas, na verdade, ela serve para que possamos reencontrar os amigos, trocar ideias sobre as novas turmas, trocar materiais sobre conteúdos e experiências que já tivemos em outras oportunidades. Planejar vai muito além de simplesmente pôr no papel aquilo que pretendemos realizar durante o período letivo. Sei que tenho conteúdos e certo número de avaliações a realizar com minhas turmas, mas como cada etapa dessa irá acontecer dependerá sempre dos contatos iniciais com cada uma delas. Nada sobrevive a um sorriso mais extenso ou a apatia de um grupo de alunos diante de um pré-planejamento que não funcionou na sala. Eu planejo o básico e espero o que vem.
Nessa de esperar o que vem, nosso diretor geral nos presenteou com mais uma oportunidade de tornar nossas aulas mais dinâmicas e próximas da realidade de nossos alunos: ele instalou um datashow e um microcomputador em todas as salas de aula, eu disse todas. Com este material multimídia sempre ao alcance das mãos o desafio aumenta, já que o aluno desejoso de ter novas experiências de aprendizado em sala de aula irá cobrar mais do professor que ele saiba utilizar tais ferramentas, que tenha certa frequência em seu uso e ainda que o faça de maneira a tornar o conteúdo mais interessante. Eu que sempre fui um grande adepto das novas tecnologias durante as aulas estou com um frio na barriga de ansiedade e de receio. Será um semestre de superação. Tenho duas turmas de um período novo, o terceiro, e terei de trabalhar com conceitos e temas que não lido há pelo menos uns dois anos. É aquela coisa: a gente sabe o que é, como é, mas explicar e transmitir isso exige planejamento, ih, olha a palavra mágica desse post aí de novo. Mas me preparei e tenho certeza de que será um grande período em meio às ideias do Romantismo e os conceitos de classe de palavras.
Na outra ponta do iceberg está o módulo de literaturas africanas e afro-brasileira que ministrarei no Campus São Gonçalo do Instituto. Não será a primeira vez que darei um curso desse tipo, nem mesmo o publico será novidade em minha carreira acadêmica, mas será diferente. Minhas responsabilidades agora são outras, assim como meu conhecimento da disciplina, minhas leituras e opiniões. Estou pensando em um curso leve, mas com densidade acadêmica em que os participantes possam apreender as novidades sem se traumatizarem durante o processo. Além disso, pretendo focar mais nos texto literários para transformar a experiência crítica da turma em exercício de criação interpretativa. Sempre me assustou essa coisa de ler antes os textos críticos e teóricos para só depois mergulhar no texto literário, acho até que essa é uma das responsáveis pelo altíssimo número de plágios que encontramos nos trabalhos acadêmicos de hoje. Esta aventura terá uma coluna específica aqui no blog, sempre que possível e necessário for. Aguardem!
Para além disso, ainda temos a SEMATEC - SUL no mês de outubro e os leitores poderão acompanhar aqui o desenvolvimento do projeto "Ideologia, eu quero uma pra viver!" que pretende discutir porque a nova geração de jovens ainda se utiliza de ícones da década de oitenta trinta anos depois. E o projeto de extensão Palavra Afiada, que vocês vêm acompanhando por aqui desde o primeiro semestre, que irá ter sua culminância de ciclo próximo ao mês de outubro.
Depois de tantos dizeres e projetos que culminam neste segundo semestre cheio de atividades, desafios e ideias, basta acreditar que tudo vai acontecer da melhor maneira possível, que não vai haver greve e que as turmas novas terão o mesmo interesse e entusiasmo das turmas do semestre anterior, turmas que me fizeram confiar mais ainda na nossa profissão. Fiquemos ao som de uma banda que dispensa apresentações, uma banda que cheira a espírito adolescente...