sábado, 6 de agosto de 2011

Aula 13: Todo o romantismo do recomeço!

Nesta semana recomeçaram as aulas no Instituto. Como havia falado por aqui durante as férias, meu desafio deste período está com as plagas literárias do Romantismo e a dureza gramatical das classes de palavras. Por opção, resolvi puxar o fio da meada pela literatura e assim começamos nossos encontros. Tentei, desde o começo, demarcar para e com os alunos que a palavra-chave deste período literário, principalmente no Brasil, é idealização. Sim, idealiza-se o conceito de nação, a identidade nacional, o amor, a mulher, a morte, a liberdade, o herói, a sociedade, etc.
Partindo disto a proposta foi simples: selecionei três excertos literários, dois de Álvares de Azevedo (um de Macário, outro um poema) e um do português Pedro Paixão. Os três trabalhavam com a idealização da mulher e do amor em níveis de significação diferentes e quis começar por este tema por entendê-lo como mais próximo das discussões de suas vidas adolescentes. No primeiro momento vimos uma parte do diálogo entre Macário e Penseroso. Neste momento da peça teatral, Macário acabara de estar com sua mulher amada e conversa com seu amigo Penseroso como as coisas aconteceram e como ele se sente. O diálogo escrito por Álvares de Azevedo irá, então, opor a idealização extrema de Penseroso ao falar do amor e das mulheres de maneira generalista, muito pessoal ao elogio do amor realizado que Macário promoverá ao demonstrar como a mulher próxima, possível pode ser tão ou mais interessante que a intocável, inatingível. No segundo momento lemos o poema "Morena", também de Álvares, em que se percebe sem muito esforço traços de todas as principais características ultrarromanticas, dentre elas a idealização extrema da mulher, do amor e da própria morte. A intenção foi demonstrar que um mesmo conceito pode ser relido pelo mesmo autor por vias diferentes, que nem nos estilos de época existem fórmulas totalmente fechadas. Depois, e por fim, lemos um micro conto (ou seria uma crônica?), de Pedro Paixão intitulada "Por que os amantes morrem", do livro Nos teus braços morreríamos. Neste texto, já dos anos 2000, vimos o amor como perda e suas possíveis reconstituições mais aproximadas da ideia de prazer e desejo, como a mulher, por vezes, vista até mesmo como um produto, que se pode comprar por alguns momentos. O mais curioso desse texto é que mesmo tratando os temas do amor e da mulher de forma muito crua, Pedro Paixão ainda vive em sua escrita uma idealização irremediável que transforma seu micro conto em uma verdadeira elegia ao cotidiano da solidão.
É óbvio que com textos tão profícuos para análise as interpretações mais diversas surgiram, muitas piadas, duplos sentidos, momentos para rir intensamente, outros para refletir sobre as transformações do olhar literário para temas tão comuns ainda hoje (e sempre). Além da alegria das primeiras aulas e das tiradas engraçadas de algumas figuras, é sempre bom reencontrar os alunos, perceber que, aos poucos, vão amadurecendo, tomando consciência da vida (da sua e da abstrata, de todos nós). Não poderia deixar de citar duas pérolas da semana:

Eu pergunto: "Que grande evento aconteceu cem anos depois da independência do Brasil?"
Aluno responde: "O centenário da independência!"

Eu pergunto: "O que acontece quando o Brasil sai da era colonial?"
Aluno responde: "Entra na era Medieval!"

Depois disso, só mesmo sendo Exagerado (manja o computador do Cazuza)!



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