sábado, 20 de agosto de 2011

Aula 15: Vai ter aula professor?



A greve é um direito constitucional do trabalhador e serve como ferramenta de reivindicação em casos extremos de insatisfação, seja com a remuneração salarial, as condições de trabalho ou mesmo a conjuntura sócio-política de um determinado momento. Portanto todo movimento de greve é um movimento de luta, com caráter ideológico e reivindicatório. O fato de se ter este dispositivo como um direito legal demonstra os avanços que nossa sociedade conquistou ao longo do século XX, principalmente com relação aos trabalhadores. Talvez a última prova disto tenha sido a eleição e a reeleição de Lula como presidente, um dos maiores líderes sindicais de nosso país.
Pois bem, a greve é um direito e direito se exerce ou não. Este é um outro ponto. Aderir a um movimento grevista representa das duas uma: ou a afinação ideológica com o movimento que se forma, ou o desejo de, mesmo não tão favorável às diretrizes do movimento, auxiliar os demais nas lutas de sua categoria. Porém há greves e greves e paralisar áreas como educação e saúde é sempre complicado, pois lidamos com pessoas, seja com os alunos/pacientes, seja com seus pais/parentes. O ponto então é o seguinte: há como exercer o direito de greve sem causar traumas? A resposta é tão simples quanto a pergunta: Não! E devemos compreender que, neste caso, os traumas devem ser minimizados ao máximo, principalmente com relação aos alunos. A prática da docência é também uma prática de negociação constante, apesar de alguns professores ainda terem como imagem de sua profissão o autoritarismo e a relutância em ouvir. Repor as aulas paralisadas em um período em que aconteceriam as férias é o menor dos fatores que envolvem esta equação. Na verdade, o que importa é como estas aulas serão repostas? Que critérios serão levados em consideração para as avaliações após a retomada das aulas? De que maneira agiremos com nossos alunos durante o processo de greve? Levaremos em conta as peculiaridades de estudar durante o que seriam as férias e atenuaremos em nosso respectivo trabalho questões práticas como o calor e a reprogramação familiar do aluno?
Sim, são só perguntas. São questionamentos de uma mente inquieta que vive pela primeira vez uma greve do lado de quem a faz e não de quem a sofre. Fui aluno de graduação do curso de letras na UFF durante a Era FHC e vivi uma das maiores greves de professores das Universidades Federais de todos os tempos. O vestibular foi adiado, nosso período letivo que terminaria em dezembro acabou em março, alguns professores encerraram suas aulas quase dois meses antes do término da reposição pois tinham viagens marcadas. Outros dobraram a carga horária para dar conta do conteúdo no prazo previsto... Por isso, confesso que é difícil responder a um aluno quando pergunta se teremos aula ou não. É difícil, para mim, ver um olhar desapontado, pois o período mal começou e já não se tem aulas... é difícil... mas a greve já foi deflagrada e, de minha parte, todas as ações que seguem a este fato serão conduzidas por uma única diretriz: prejudicar o mínimo possível os alunos. Até a aula 16, quem sabe com aula!


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