sábado, 6 de agosto de 2011

Especialização I: Começando



Na noite desta terça-feira iniciaram minhas atividades no curso de especialização de História e cultura africana e afro-brasileira. A expectativa de um primeiro dia de aula é sempre muito intensa, principalmente quando seu público reúne profissionais da área educacional, alguns com mais experiência de sala de aula do que você. Medos e ansiedades a parte, o primeiro dia de aula foi muito melhor do que eu esperava. A turma, basicamente formada por historiadores, com dois filósofos, três pedagogas e uma colega da área de letras (por enquanto), enriqueceu bastante as discussões propostas trazendo suas visões de formação acadêmica mescladas ao olhar curioso de leitores. Minha estratégia de propor uma atividade de discussão de poemas como estopim de suas expectativas para o decorrer do curso funcionou  bem e agora posso dizer que tenho definidas as linhas que pretendo seguir durante essa experiência. Iremos trabalhar com a literatura africana de língua portuguesa e com as discussões sobre literatura afro-brasileira com a intenção de demonstrar como o texto literário pode ser um  instrumento de trabalho a mais para a aplicação/discussão de conteúdos em História, Pedagogia, Letras, Filosofia, etc. Pretendo publicar semanalmente no blog as propostas e os “resultados” de tais atividades para que possamos ampliar nosso espaço de debate. Deixo vocês com um dos poemas que geraram mais discussão na aula de terça. Trata-se de “Casamento de conveniência”, do moçambicano Rui Knopfli. Um abraço.


Meus pais não querem que ame
A quem amo.
Pretendem que me case contigo,
Juventina.
Não és boa, nem és má,
Nem bela, nem feia
E dizem-te prendada e virtuosa
Mas, quanto te aborreço!,
Juventina.
Dão-me um automóvel e uma casa
Pra que case contigo,
Juventina.
Tens um nome que te quadra à figura,
Rapariga,
E trazes intacto o selo necessário.
Seremos na vida como dois funcionários públicos
Da mesma repartição
Cujas obrigações obrigam-se a ver-se e a contactar
Diariamente.
Nada mais.
Com a tua estupidez morreremos
de chatice
e levar-te-ei obrigatoriamente
ao cinema, uma vez por semana.
Aceitarás com submissão
Que te mande à merda de quando em vez
E não farás muitas ondas.
Sei que não pedes mais,
É pegar ou largar,
Juventina.

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